O ligamento cruzado anterior é um dos principais estabilizadores do joelho. Sua ruptura ocorre com frequência durante atividades esportivas, especialmente em movimentos que envolvem mudança de direção, desaceleração, giro ou aterrissagem.
A lesão pode provocar sensação de instabilidade e insegurança durante determinados movimentos. A necessidade de reconstrução do ligamento não é definida apenas pela presença da ruptura, mas deve considerar o grau de instabilidade, as atividades praticadas, as lesões associadas e os objetivos de cada paciente.
Como ocorre a ruptura do LCA?
A ruptura do ligamento cruzado anterior ocorre com frequência durante a prática esportiva. Em muitos casos, a lesão acontece sem contato direto com outro atleta, em movimentos de mudança rápida de direção, desaceleração, rotação do joelho ou aterrissagem após um salto.
Em outras situações, a ruptura pode ocorrer após um trauma direto sobre o joelho, dependendo da direção e da intensidade da força aplicada.
No momento da lesão, é comum o paciente relatar a sensação de que o joelho “saiu e voltou” ou se deslocou, muitas vezes acompanhada de um estalo ou “pop”. Esse som pode ser suficientemente intenso para ser percebido também por outras pessoas que estejam próximas.
Dor, inchaço e dificuldade para continuar a atividade podem surgir logo após o trauma, embora a intensidade dos sintomas seja variável.
O mecanismo da lesão e a descrição do que foi sentido no momento do trauma são informações importantes para a avaliação, inclusive pela possibilidade de lesões associadas nos meniscos, na cartilagem ou em outros ligamentos.
Quando reconstruir o LCA?
A indicação do tratamento de uma ruptura do ligamento cruzado anterior deve considerar a idade, o nível de atividade, o grau de instabilidade, as lesões associadas e as expectativas de cada paciente.
Em pacientes jovens e ativos, a reconstrução do LCA é, na maioria das vezes, o tratamento indicado, especialmente pela necessidade de restabelecer a estabilidade do joelho e permitir o retorno seguro às atividades físicas e esportivas.
A presença de episódios de falseio ou instabilidade, a prática de esportes que envolvem movimentos de rotação e mudanças de direção e a existência de lesões associadas reforçam a indicação cirúrgica.
O tratamento não cirúrgico pode ser considerado em situações específicas, principalmente em pacientes com menor demanda funcional, sem sintomas de instabilidade ou que não desejem realizar a cirurgia.
O que acontece quando o LCA se rompe?
Quando o LCA se rompe, o joelho pode perder parte de sua estabilidade, especialmente durante movimentos que envolvem rotação, mudança de direção ou desaceleração.
Alguns pacientes apresentam episódios de falseio ou sensação de insegurança, enquanto outros conseguem realizar atividades cotidianas sem grandes limitações. A instabilidade costuma se tornar mais evidente nas atividades de maior exigência para o joelho.
Quando esses episódios se repetem, podem ocorrer novas lesões, principalmente nos meniscos e na cartilagem, razão pela qual a avaliação da estabilidade e das atividades que o paciente pretende realizar é importante na definição do tratamento.
Como é feita a reconstrução?
Na reconstrução do ligamento cruzado anterior, o ligamento rompido é substituído por um enxerto, geralmente obtido de tendões do próprio paciente.
O procedimento é realizado por artroscopia. São preparados túneis ósseos no fêmur e na tíbia, posicionados de forma a reproduzir a anatomia do ligamento. O enxerto é então passado por esses túneis e fixado ao osso, formando o novo ligamento.
A escolha do enxerto, a técnica de reconstrução e os métodos de fixação podem variar de acordo com as características de cada paciente e com as particularidades de cada caso.
Qual enxerto utilizar?
Na reconstrução do LCA, diferentes tendões podem ser utilizados como enxerto para substituir o ligamento rompido.
Entre as opções estão os tendões flexores, o tendão patelar e o tendão do quadríceps. Cada alternativa apresenta características próprias, vantagens e possíveis limitações.
A escolha do enxerto deve considerar fatores como idade, comorbidades, tipo e nível de atividade física, esporte praticado, características individuais do paciente e se o procedimento é uma reconstrução primária ou uma cirurgia de revisão.
Não existe um único enxerto ideal para todos os pacientes. A escolha deve ser individualizada de acordo com as características e necessidades de cada caso.
Lesões associadas
Sim. No momento da ruptura do ligamento cruzado anterior podem ocorrer também lesões dos meniscos, da cartilagem ou de outros ligamentos do joelho.
Além disso, nos casos avaliados ou tratados mais tardiamente, especialmente quando o joelho permanece instável e apresenta episódios repetidos de falseio, é frequente a presença de lesões associadas, particularmente dos meniscos e da cartilagem articular. Algumas dessas lesões podem ocorrer no trauma inicial, enquanto outras podem surgir ou se agravar ao longo do tempo.
A identificação dessas alterações é importante para o planejamento do tratamento. Durante a reconstrução do LCA, as lesões associadas podem, quando indicado, ser tratadas no mesmo procedimento.
A preservação do menisco, sempre que possível, é especialmente importante, pois ele desempenha papel fundamental na distribuição das cargas e na proteção da cartilagem do joelho.
Qual é o momento ideal para operar?
Não existe um número determinado de dias após a lesão que defina, por si só, o momento ideal para a reconstrução do LCA. A indicação não deve ser baseada simplesmente em operar antes ou depois de 21 dias, mas nas condições apresentadas pelo joelho e pelo paciente.
De modo geral, o ideal é realizar a cirurgia quando o joelho apresenta boas condições clínicas, redução do processo inflamatório e recuperação adequada da mobilidade articular, especialmente uma boa extensão e uma boa flexão.
Operar um joelho ainda muito inflamado ou com limitação importante dos movimentos pode dificultar a recuperação pós-operatória. Por isso, o momento da cirurgia deve ser individualizado, considerando a evolução do joelho, as condições clínicas do paciente e a presença de eventuais lesões associadas que possam interferir nessa decisão.
Recuperação
A recuperação começa nos primeiros dias após a cirurgia, com medidas para controle da dor e do inchaço, recuperação progressiva da mobilidade e ativação da musculatura.
A fisioterapia tem papel fundamental durante todo o processo. Inicialmente, os objetivos incluem recuperar a extensão do joelho, progredir a flexão, normalizar a marcha e recuperar o controle do quadríceps. Nas fases seguintes, o trabalho evolui para fortalecimento, equilíbrio, controle neuromuscular e exercícios progressivamente mais específicos.
A evolução deve respeitar critérios funcionais e a resposta de cada paciente, e não apenas o tempo transcorrido desde a cirurgia.
Retorno ao esporte
O retorno ao esporte é uma das etapas finais da recuperação e não deve ser definido apenas pelo número de meses transcorridos desde a cirurgia.
Antes do retorno, é importante avaliar a recuperação da mobilidade, da força muscular, da estabilidade, do controle neuromuscular e da capacidade de executar movimentos relacionados ao esporte praticado. Testes funcionais podem auxiliar nessa avaliação e na comparação entre os membros.
A progressão deve ocorrer de forma gradual, passando por etapas de fortalecimento, corrida, exercícios específicos e treinamento dos gestos esportivos antes da liberação para a prática completa.
O momento do retorno varia de acordo com a evolução individual, o tipo de esporte e suas exigências.
Resultados
O principal objetivo da reconstrução do LCA é restabelecer a estabilidade do joelho e permitir que o paciente retome suas atividades com segurança.
A evolução depende não apenas da cirurgia, mas também do processo de reabilitação, da recuperação da força e do controle neuromuscular e das características individuais de cada paciente.
Para quem pretende retornar ao esporte, o resultado deve ser avaliado também pela recuperação funcional e pela capacidade de executar com segurança as demandas específicas da modalidade praticada.
Riscos
Como qualquer procedimento cirúrgico, a reconstrução do LCA apresenta riscos. Entre as possíveis complicações estão infecção, rigidez, perda de mobilidade, trombose e problemas relacionados à integração ou à nova ruptura do enxerto.
Essas complicações não são frequentes, mas devem ser consideradas e discutidas antes da cirurgia.
O planejamento adequado, a técnica cirúrgica, os cuidados pós-operatórios e uma reabilitação bem conduzida fazem parte das medidas utilizadas para reduzir esses riscos.
FAQ reduzido
Quanto tempo preciso usar muletas?; Quando posso dirigir?; Quando posso voltar ao trabalho?; Quando começo a fisioterapia?; Quando posso voltar à musculação/academia?; Quando posso começar a correr?; Quando posso voltar ao esporte?; Existe risco de romper novamente o LCA?
As redações finais do FAQ serão consolidadas a partir do material das jornadas/protocolos já desenvolvido.

